Em política, a pior derrota não é a que vem numa noite de apuração, mas a que se acumula aos poucos. Para Zito Barbosa, o ciclo que parecia eterno começou a se desfazer em 2022 e as urnas de 2026 deixaram isso difícil de negar.
O ponto mais alto da trajetória foi a reeleição para a Prefeitura de Barreiras, em 2020. Zito venceu com 70,30% dos votos, deixando Tito Cordeiro com 27,12%. Era hegemonia, a de um líder que parecia dispensar adversários.
Dois anos depois, a conta começou a virar. Zito apostou na esposa, Marisete Bastos, para Câmara dos Deputados e no irmão, Herbet Barbosa, para Assembleia Legislativa, e perdeu nas duas frentes. Em 2024, seu candidato à sucessão chegou à Prefeitura, mas Otoniel Teixeira foi eleito com 38,88%, bem longe da maré de 70% que embalou o padrinho.
Em 2026, Zito quis a prova definitiva e disputou uma vaga de deputado federal. Fez uma aliança com Luís Eduardo Magalhães, celebrada como a primeira vez em que as duas maiores cidades do Oeste caminhavam juntas numa eleição, e teve o prefeito de Barreiras ao seu lado. O resultado não veio: com 65.830 votos, Zito ficou como suplente. E o que dói mais é que foi em casa que a margem encolheu. Em Barreiras, Zito teve 30.157 votos contra 26.317 de Danilo Henrique, uma diferença de 3.840. Quem somava 70% em 2020 ganhou, em seu próprio reduto, por uma vantagem que cabe num bairro. Uma vitória assim não consolida liderança, apenas adia a conversa.
Há também o quadro maior. Zito caminhou ao lado de ACM Neto, e Jerônimo Rodrigues foi reeleito governador no primeiro turno, com cerca de 55% dos votos válidos, contra cerca de 44% de ACM Neto. O ex-prefeito votou e fez campanha para Flávio Bolsonaro, que acabou derrotado por Lula. O grupo político que Zito escolheu como bússola perdeu.
Do outro lado, Danilo Henrique escreve uma história diferente. Sua estreia nas urnas foi em 2024, quando teve 27.636 votos na disputa pela prefeitura, 32,61% dos votos válidos. Em 2026, voltou com mais substância. Em toda a Bahia teve 38.136 votos para deputado federal e ficou como suplente. Não foi eleito, mas o mapa de Barreiras conta outra história, a de quem encostou no maior nome da política local jogando em campo adversário, com o poder municipal e o aliado de Luís Eduardo Magalhães apoiando o outro lado. A candidatura de Danilo alcançou o objetivo. O seu pai, o deputado estadual Antônio Henrique Júnior, recebeu em Barreiras quase 5 mil votos a mais do que em 2022.
O contexto também joga a favor de Danilo. O grupo de Wagner, Rui, Jerônimo e Lula saiu vitorioso: Rui Costa foi eleito senador e Jaques Wagner garantiu a permanência no Senado, e Lula foi reeleito no segundo turno de 25 de outubro. O MDB de Danilo ocupou a vaga de vice na chapa vencedora, com Geraldo Júnior reeleito vice-governador de Jerônimo. Danilo sai da eleição ligado a quem vai governar o estado e o país, o que abre portas, interlocução e a possibilidade de, como segundo suplente do MDB, ainda chegar à Câmara se a bancada se reorganizar.
Isso não significa que Zito esteja liquidado, nem que Danilo tenha o caminho livre. Mas quem observa os números sem paixão percebe a mudança de direção. De um lado, uma liderança que chegou ao auge, viu a influência se diluir em derrotas e fechou 2026 com uma vantagem estreita demais para ser chamada de força. De outro, um nome que cresceu a cada eleição e hoje reúne em torno de si as Oposições de Barreiras.
Zito é o vencido de um ciclo que se esgota. Danilo é o vencedor de um tempo que começa.