No coração de São Desidério, o Coliseu se transformou num palco vibrante de cultura e pertencimento durante dois dias de pura energia junina. Nos dias 21 e 22 de junho, o espaço foi tomado por famílias inteiras, aplausos empolgados e o som inconfundível das sanfonas, no evento que consagrou o maior concurso de quadrilhas da região Oeste da Bahia.

Com um total de 13 grupos se apresentando, cada coreografia foi mais que um espetáculo: foi um reencontro com raízes, com a memória coletiva e com a força da tradição popular. O público, diverso e animado, não economizou elogios nem emoção a cada entrada triunfal dos grupos que levaram ao chão do Coliseu as cores, os passos marcados e a alma das festas nordestinas.

“O que vivemos aqui não é só uma competição, é a celebração viva do nosso povo”, disse uma das integrantes da quadrilha Coração Sertanejo, ainda com o rosto marcado de brilho e suor depois da apresentação. Entre o público, o sentimento era compartilhado. “A leveza com que eles dançam, a alegria que contagia… é impossível não se emocionar”, comentou Aurora Oliveira, que assistia encantada ao espetáculo.

O concurso também cumpriu seu papel de incentivo à cultura e à representatividade regional. Os vencedores não apenas levaram troféus para casa, mas também garantiram presença em competições de outras partes do Brasil. O grupo Os Exagerados, de Buritirama, levou o primeiro lugar, seguido pela quadrilha Gonzagão, de Correntina, e pela Sapecou Queimou, de Barreiras, que ficou com a terceira colocação.

Segundo os organizadores, o evento foi o resultado de uma construção coletiva entre a comunidade e os que fazem a cultura acontecer no dia a dia. “Nosso propósito é manter a chama acesa para as próximas gerações. Quando vemos essa plateia vibrando e os jovens envolvidos com tanta paixão, temos certeza de que estamos no caminho certo”, afirmou o secretário de Cultura, Thiago Bezerra.

A parceria com a União das Quadrilhas Juninas do Oeste da Bahia (UNIQJOB) foi um dos pilares para a realização do festival. Saulo Martins, presidente da entidade, celebrou a estrutura e o apoio recebidos: “Aqui vimos respeito à cultura e compromisso com quem faz arte com o corpo, com o coração e com a comunidade.”

No fim, o concurso foi mais que um evento: foi uma declaração de amor ao São João, à cultura popular e ao poder da dança como expressão coletiva. Em cada passo ensaiado, havia história. Em cada sorriso, resistência. E em cada batida do forró, a certeza de que a tradição segue viva — forte, festiva e profundamente nossa.

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