O sol de domingo mal tinha dado as caras e as margens do Rio Grande, em Barreiras, já estavam tomadas por gente de todo canto, pronta para um ritual que mistura diversão, natureza e respeito: a famosa descida de boia do Passeio Panacan. Na sua 19ª edição, o evento arrastou mais de mil pessoas para dentro do rio e para dentro de uma experiência que, a cada ano, se consolida como símbolo de pertencimento, resistência e celebração ao meio ambiente.

O trajeto, que começa na comunidade de São José do CTI e termina no Barrocão de Baixo, é muito mais do que um simples percurso fluvial. É um desfile flutuante de famílias inteiras, amigos de longa data, crianças animadas e idosos nostálgicos, todos juntos flutuando ao ritmo da correnteza do Rio Grande — patrimônio natural e afetivo da região.

Longe do asfalto e da pressa do dia a dia, a boia vira barco, palco e pretexto. No silêncio entre uma gargalhada e outra, mora a mensagem mais importante: esse rio precisa continuar vivo. E é exatamente isso que o passeio reforça. A cada mergulho, a cada risada, a cada celular guardado pra aproveitar o momento, cresce a consciência coletiva de que proteger o Rio Grande é proteger a identidade de Barreiras.

Ao fim do percurso, o destino é sempre o mesmo: a comunidade do Barrocão de Baixo, onde um almoço coletivo, embalado por sanfonas e sorrisos, fecha o dia com sabor de vitória — vitória da cultura, da natureza e da gente que ainda sabe se reunir pelo que realmente importa.

O Passeio Panacan é mais do que um evento no calendário junino. É um lembrete vivo de que cuidar do Rio Grande é, antes de tudo, cuidar uns dos outros. E enquanto houver boia, gente disposta e rio correndo, a tradição segue firme — e cada vez mais forte.

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