
A madrugada de terça-feira (24) foi marcada por um cenário incomum no Nordeste brasileiro: frio intenso e termômetros despencando, especialmente na Bahia. E não foram as cidades serranas do Sul do estado que lideraram o ranking de temperaturas mais baixas — foram Barreiras e Luís Eduardo Magalhães, no coração do cerrado baiano, que assumiram o protagonismo climático da vez.
Segundo dados atualizados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Barreiras registrou impressionantes 11,9°C, figurando no topo da lista das cidades mais frias do Nordeste nas últimas 24 horas. Já Luís Eduardo Magalhães não ficou atrás, marcando 12,6°C e reforçando o frio atípico que tem tomado conta do Oeste Baiano neste mês de junho.
O fenômeno chamou atenção não apenas pela intensidade, mas pelo contraste com a imagem habitual da Bahia: sol forte, clima seco e calor quase constante. “Quem acordou cedo sentiu o baque. Teve morador saindo de casa de moletom, touca e até luva. Parece piada, mas aqui no cerrado, o frio chega de verdade”, brinca o comerciante Antônio Dias, morador de Luís Eduardo.
Além das duas cidades, outros municípios baianos completam o top 10 do frio nordestino, como Lençóis (12,8°C), Correntina e Vitória da Conquista (ambas com 13,2°C), Delfino, Itiruçú, Belmonte e Brumado. Mas é a força do Oeste que chama mais atenção, especialmente porque a região também é responsável por boa parte da produção agrícola da Bahia — e temperaturas tão baixas podem impactar diretamente algumas lavouras mais sensíveis.
Nos bairros mais altos de Barreiras, moradores relataram neblina densa logo nas primeiras horas do dia. Em Luís Eduardo, o frio foi acompanhado por ventos cortantes, o que acentuou ainda mais a sensação térmica. Escolas registraram alunos encapotados e o movimento nas padarias aumentou com a busca por bebidas quentes — um reflexo direto do impacto nas rotinas urbanas.
Enquanto o Rio Grande do Sul segue dominando o ranking nacional — com registros de até -4,9°C em cidades como São José dos Ausentes e Bom Jesus —, o frio nordestino ganha um charme especial por sua raridade. E em Barreiras e Luís Eduardo, o momento é de aproveitar: fogão à lenha aceso, chá de capim-santo, casa fechada e cobertor reforçado.
Para quem achava que frio e Bahia não combinavam, o Oeste acaba de provar o contrário — e com estilo.
