
O Governo Federal autorizou a Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba) a iniciar estudos técnicos para a reativação da Hidrovia do São Francisco. A medida foi oficializada por portaria do Ministério de Portos e Aeroportos e publicada no Diário Oficial da União.
Os estudos vão avaliar aspectos operacionais, logísticos e regulatórios, além de viabilizar a exploração privada da infraestrutura e a retomada sustentável da navegação. A expectativa é que, já no primeiro ano de operação comercial, a movimentação de cargas pelo rio alcance 5 milhões de toneladas.
O projeto prevê integração da hidrovia com outros modais de transporte, como ferrovias e rodovias, ampliando a eficiência logística. Com 1.371 quilômetros de extensão navegáveis entre Pirapora (MG), Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), a hidrovia permitirá o transporte de cargas do Centro-Sul ao Nordeste de forma mais econômica e sustentável. Um comboio hidroviário pode substituir até 1,2 mil caminhões, reduzindo emissões de CO₂, desgaste nas rodovias e consumo energético.
Desenvolvimento regional e escoamento de cargas
A reativação da Hidrovia do São Francisco é considerada estratégica para o desenvolvimento regional. Entre os principais produtos que devem ser transportados estão gesso agrícola, gipsita, drywall e calcário, que seguirão de Petrolina até Pirapora, abastecendo o Sudeste e o MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Também estão previstos o transporte de açúcar e óleo de Juazeiro para Pirapora, além do sal do Rio Grande do Norte, que será escoado até Remanso (BA) e seguirá pelo rio até Minas Gerais. O café fará o caminho inverso, partindo de Pirapora em direção a Juazeiro e Petrolina para atender a demanda do Nordeste.
Milho, soja, algodão, adubo e outros insumos agrícolas serão transportados por rodovias a partir de Barreiras e Luís Eduardo Magalhães até Ibotirama, de onde seguirão pela hidrovia até Juazeiro. A partir daí, poderão ser encaminhados para o Porto de Aratu, em Salvador, por rodovia ou ferrovia.
Estrutura e etapas do projeto
O plano foi dividido em três etapas. A primeira contempla 604 km navegáveis entre Juazeiro, Petrolina, Sobradinho e Ibotirama, com escoamento para o Porto de Aratu-Candeias. A segunda abrange 172 km entre Ibotirama, Bom Jesus da Lapa e Cariacá, com conexão ferroviária para os portos de Ilhéus e Aratu-Candeias. A terceira fase prevê a ampliação em 670 km até Pirapora, em Minas Gerais.
Também está prevista a construção de 17 Instalações Portuárias Públicas de Pequeno Porte (IP4), destinadas ao transporte de cargas e passageiros nos estados da Bahia, Pernambuco e Alagoas. Seis já estão em fase de projeto e 11 em planejamento. Os editais para as unidades de Petrolina e Juazeiro devem ser lançados em setembro, com início das obras em janeiro de 2026.
