
O Ministério dos Transportes reforçou a importância da ampliação do transporte ferroviário como estratégia para reduzir emissões de carbono, aumentar a competitividade logística e impulsionar o desenvolvimento regional. O tema foi destaque no seminário Logística Verde, realizado em Brasília, que debateu soluções sustentáveis para o setor.
Entre os principais exemplos apresentados está a Transnordestina, empreendimento com 66% de execução e investimento estimado em R$ 15 bilhões. A ferrovia deve atravessar os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí, com capacidade para transportar até 30 milhões de toneladas por ano de grãos, combustíveis e fertilizantes. A primeira fase está prevista para ser concluída em 2027.
O ministério também destacou a necessidade de ampliar concessões ferroviárias, seguindo o modelo aplicado às rodovias, e incluir o setor na agenda de financiamento verde do país. O modal ferroviário é apontado como um dos que mais podem atrair investimentos sustentáveis, com previsão de trens intercidades operando com biocombustíveis.
Estudos e análises de especialistas reforçam que a diversificação da matriz de transportes é essencial para reduzir o “custo Brasil”, melhorar a competitividade e garantir a transição energética. Atualmente, o modal rodoviário concentra cerca de 90% das emissões do setor de transportes, que responde por 11% do CO₂ liberado no país.
Um levantamento da Coalizão dos Transportes, que reúne mais de 50 entidades do setor, aponta que o Brasil pode reduzir até 70% das emissões de carbono no transporte até 2050, desde que haja investimentos contínuos em infraestrutura ferroviária e incentivo à transição energética.
Entre os projetos em andamento estão a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), que liga Mara Rosa (GO) a Água Boa (MT) e já possui mais de 25% de execução, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol II), no trecho entre Caetité e Barreiras (BA), que deve alcançar 75% de conclusão até o fim de 2025.
Além disso, estão em estudo seis projetos de viabilidade para uso de trechos ferroviários de carga no transporte de passageiros, incluindo ligações como Brasília–Luziânia, Salvador–Feira de Santana, Londrina–Maringá, além de conexões metropolitanas em São Luís, Fortaleza e Pelotas. Algumas dessas iniciativas devem avançar para audiência pública ainda neste ano.
Com esses investimentos, o Ministério dos Transportes busca transformar a malha ferroviária em um pilar da logística verde nacional, ampliando a participação do modal ferroviário na matriz de transportes e promovendo uma economia mais sustentável e competitiva.
