Um levantamento da Conectar Agro em parceria com a Universidade Federal de Viçosa revelou que apenas 28,26% da área irrigada por pivôs centrais no Brasil possui cobertura de internet 4G ou 5G. O índice mostra a distância entre o avanço tecnológico do agronegócio e a infraestrutura digital disponível no campo.

Enquanto estados como São Paulo registram 53,45% de conectividade em suas áreas irrigadas e Minas Gerais aparece com 26,54%, outros ainda enfrentam grande defasagem. Rondônia, por exemplo, não tem nenhuma área irrigada com sinal, e Santa Catarina aparece com apenas 1%.

No cenário municipal, a disparidade é ainda mais evidente. Paracatu (MG), que possui a maior área irrigada do país, tem apenas 1,58% de cobertura digital. Já Luís Eduardo Magalhães (BA), polo estratégico do MATOPIBA, se destaca com 51,7% de conectividade, índice superior ao de municípios reconhecidos pela força no agronegócio, como Cristalina (GO), com 37,57%, e Sorriso (MT), com 28,80%.

A falta de infraestrutura em áreas rurais continua sendo o principal desafio, já que muitas regiões enfrentam problemas até mesmo com fornecimento de energia elétrica. Ampliar a conectividade no campo é apontado como caminho para ganhos de eficiência, economia de água, melhor controle de recursos naturais e inclusão social.

Entre as soluções discutidas estão a efetivação do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) para o meio rural e políticas estaduais que incentivem investimentos em infraestrutura digital. Modelos como o do Paraná, que prevê repasse de créditos de ICMS para operadoras aplicarem em conectividade, já surgem como exemplos de estratégias que podem ser replicadas em outras regiões.

O estudo reforça que o avanço da conectividade é decisivo não apenas para a produtividade agrícola, mas também para a permanência de jovens no campo e para reduzir o êxodo rural.

Comente a postagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também