O debate em torno do novo pedido de empréstimo de R$ 140 milhões feito pela Prefeitura de Barreiras à Câmara de Vereadores não pode ser conduzido sob pressão política, urgência de faz de contas e tentativa de coerção na mídia local.

A discussão exige responsabilidade fiscal, transparência e análise técnica detalhada.

Nos últimos dias, chamou atenção a movimentação organizada em defesa da votação imediata do projeto de mais um empréstimo, especialmente por parte de Zito Barbosa. Embora o prefeito formal seja Otoniel Teixeira, as principais diretrizes políticas e administrativas do município ainda são ditadas pelo ex-prefeito.

Não por acaso, o próprio Zito teria procurado um grupo de vereadores para exigir em tom ameaçador a aprovação do projeto. O motivo é simples: obras rendem discurso, palanque, marketing e, claro, muito dinheiro. E isso interessa diretamente à sua candidatura a deputado federal.

O problema é que empréstimos dessa magnitude não podem ser tratados como pauta eleitoral ou peça de publicidade.

O projeto encaminhado à Câmara apresenta intenções amplas e investimentos potencialmente relevantes, mas carece de informações técnicas essenciais, tais como:

Projetos executivos;
Planilhas orçamentárias;
Estudos de impacto financeiro;
Cronogramas físico-financeiros;
Estimativas individualizadas de custo;
Critérios objetivos de prioridade;
Detalhamento da capacidade futura de custeio.

Sem essas informações, os vereadores são meramente chamados a aprofundar o endividamento da cidade sem conhecer precisamente o alcance financeiro e operacional de cada obra.

O ponto central da discussão também não está apenas na realização de novos investimentos.

Hoje, Barreiras enfrenta problemas concretos e urgentes relacionados ao funcionamento dos serviços essenciais:

Falta de medicamentos;
Baixa oferta de exames laboratoriais;
Filas por cirurgias eletivas;
Atrasos em pagamentos de servidores e fornecedores;
Crise no transporte coletivo;
Dificuldades operacionais em áreas da administração.

Se o município não consegue entregar o básico, o “feijão com arroz”, não justifica se endividar ainda mais.

Nos últimos 8 anos, Zito Barbosa obteve R$ 240 milhões em empréstimos autorizados pela Câmara de Barreiras. Além do próprio orçamento municipal, o ex-prefeito contou com cerca de R$ 200 milhões dos precatórios do Fundef. Portanto, o problema nunca foi falta de dinheiro.

Para registro, Barreiras figura na seleta lista de 30 municípios do Nordeste com orçamento superior a 1 bilhão de reais por ano.

Por isso, a Câmara Municipal precisa ampliar o debate e promover audiências públicas com participação efetiva da sociedade civil, especialistas e segmentos diretamente ligados aos investimentos previstos no projeto.

Ouvir:

Engenheiros;
Urbanistas;
Profissionais da saúde;
Representantes culturais;
Comerciantes;
Feirantes;
Produtores rurais;
Entidades empresariais;
Universidades;
Órgãos de controle;
População diretamente afetada.

Questões fundamentais ainda permanecem sem resposta:

Qual será o custo individual de cada obra?
Quais projetos já estão concluídos?
Qual o prazo de execução?
Qual o modelo de contratação?
Qual o impacto da dívida sobre receitas futuras do município?
Como será garantida a manutenção dos equipamentos após a entrega?

Também é legítimo questionar a lógica administrativa de anunciar novas intervenções enquanto outras obras seguem inacabadas ou enfrentam dificuldades operacionais.

Exemplos disso:

Outra ponte sendo que temos uma em andamento (Barreirinhas/Vila Dulce) sem conclusão definitiva?
Obras na feira do Vila Rica com os galpões da futura Feira do Santa Luzia abandonados?
Mais praças de lazer mesmo com visíveis dificuldades de manutenção das já existentes, a exemplo do Parque Eng. Geraldo Rocha, Praça do Esporte no Santa Luzia e Estádio Geraldão?

O Hospital Municipal Edsonina Neves, a obsessão de Zito Barbosa, é talvez o maior exemplo das faltas de transparência e planejamento. Em obras há 3 anos, o prédio inacabado já consumiu 40 milhões de empréstimo e conta com mais R$ 40 milhões na previsão orçamentária para 2026. Mas ainda não ofereceu um comprimido de Dorflex sequer à população.
Quanto, de fato, custará esse equipamento aos cofres da cidade?

O debate sobre o empréstimo não deve ser reduzido a posições simplistas entre “ser contra” ou “ser a favor” de obras.

O verdadeiro dever dos vereadores é garantir que qualquer novo endividamento seja acompanhado de planejamento técnico, transparência administrativa, viabilidade financeira e proteção ao interesse público.

Barreiras precisa de um debate sério, técnico e responsável sobre seu futuro financeiro.

Eu, você, e a população de Barreiras não temos obrigação alguma com os desejos pessoais de Zito Barbosa. Nós e ninguém devemos nada a ele. Pelo contrário, a cidade de Barreiras já fez muito por Zito, por sua família e amigos.

Comente a postagem

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Leia também