O Aarhus, da Dinamarca, foi o clube mais inovador até agora em meio à pandemia. Na primeira partida de retorno do futebol dinamarquês, o clube permitiu criar uma arquibancada virtual por meio de uma ação com o aplicativo Zoom, que levou os torcedores de suas casas para telões no estádio.

A “arquibancasa”, expressão bem utilizada pelo Wagner Giannella para resumir a ação, mostrou-se, de forma prática, uma iniciativa inteligente para o esporte. É possível, sim, criar uma atmosfera animada para curtirmos o retorno dos jogos. A ação ajudou a catapultar mundialmente a imagem do clube dinamarquês. E, mais ainda, a experiência de acompanhar esse jogo ao vivo mostrou que é possível tornar esse tipo de iniciativa num negócio rentável mais à frente.

Para isso, porém, é preciso fazer alguns ajustes. O primeiro deles é a relação com o direito de transmissão do jogo. Para que a experiência do Aarhus fosse completa, eu teria de ter conseguido ver a partida da tela do meu computador. A ação, como executada, ficou restrita ao público local.

Outra mudança importante seria ter mais interação entre o clube e o torcedor ao longo da partida. Sim, isso soa como um acinte para o mais fanático, mas essa solução pode trazer um público completamente novo e diferente ao esporte. Ser um entretenimento “leve” para o torcedor casual, que poderia transformar a plataforma virtual num meio de socialização.

O terceiro ponto interessante de observar foi que essa “arquibancasa” pode ser um bom caminho para as marcas conseguirem dialogar com o torcedor. Será que não poderia ser encontrada uma forma de fazer essa transmissão ser patrocinada? No jogo da volta do Aarhus, um banco dinamarquês criou uma iniciativa simples de tentar adivinhar o número de trocedores virtuais ligados naquela partida. Dá para ir além.

Por fim, é necessário não ser tão dinamarquês ao se criar uma ação dessas. Não dá para fazer uma iniciativa tecnológica como essa ser uma experiência gratuita ao fã. É preciso cobrar um ingresso, mesmo que simbólico para que viva-se essa iniciativa. No futebol brasileiro, essa experiência pode ser a alternativa para que os programas de sócio-torcedor contemplem sua base de assinantes. Se só quem for sócio tiver direito de entrar, virtualmente, dentro do estádio, a ação gratuita terá sido válida.

No final das contas, a “arquibancasa” mostra que a pandemia força que o esporte insira a tecnologia na relação dele com o fã. A primeira boa ideia já está aí.

 

Erich Beting
Máquina do Esporte

 

Acompanhe a reportagem completa sobre a live do campeonato dinamarquês.

 

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