A filha de Maria do Socorro Barreto Santiago, Luciana Santiago, decidiu pedir a liberdade de sua mãe em carta publicada na coluna de Fausto Macedo, no jornal O Estado de S.Paulo. A ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) está presa preventivamente desde novembro, por ordem do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça.
O motivo da prisão foi a suposta tentativa da magistrada em ocultar provas da investigação sobre esquema de venda de sentenças no TJ-BA, em processos referentes a terras no Oeste baiano. Na transcrição da conversa interceptada pela Polícia Federal, Socorro comenta com a secretária do gabinete sobre um celular levado no cumprimento do mandado de busca e apreensão.
“A minha mãe está presa por ter feito uma ligação desconhecendo a existência de uma proibição dentro de uma decisão de 70 páginas que lhe foi entregue, minutos após a saída da PF. Eu havia lhe pedido para saber desse celular. A indagação sobre o esvaziamento do celular era minha e não de minha mãe, e ela não recebeu resposta, pois ali soube da vedação de contato com seu gabinete. Surpresa com a informação, desligou. E foi esse o motivo de sua prisão”, argumentou Luciana.
Luciana disse que sua mãe não foi informada de que não poderia se comunicar com o gabinete, já que na decisão constava apenas o afastamento das funções por 90 dias e intimação para comparecer à Polícia Federal para prestar esclarecimentos. Dessa forma, ela entende como “arbitrárias” as decisões mantêm a “prisão sem condenação” de sua mãe, diante da crise sanitária que assola o país.