A agricultura da Bahia alcançou em 2024 um valor recorde de R$ 47,3 bilhões, registrando crescimento de 8,4% em relação ao ano anterior e conquistando a 7ª posição no ranking nacional. O desempenho foi puxado principalmente pelo cacau, que cresceu 176,7%, e pela fruticultura, com alta de 30,5%. Em contrapartida, os grãos recuaram 14,7% devido à queda na produção de soja, milho e algodão.

O avanço baiano ocorreu em cenário de retração nacional, já que a produção agrícola do Brasil caiu 3,9% no mesmo período. Com esse resultado, a Bahia passou a responder por 6% do valor da agricultura brasileira, ultrapassando o Mato Grosso do Sul.

Cacau e fruticultura em expansão

O cacau registrou crescimento histórico, saltando de R$ 2,3 bilhões para R$ 6,5 bilhões. Apesar do avanço expressivo, a Bahia perdeu para o Pará a liderança nacional em volume e valor de produção.

A fruticultura também reforçou o protagonismo do estado, alcançando R$ 7,4 bilhões. A Bahia segue líder nacional na produção de manga, com destaque para Juazeiro, e no maracujá, com Livramento de Nossa Senhora. Produtos como uva e café canephora também apresentaram ganhos relevantes.

Grãos em retração

A produção de grãos caiu de 12,7 milhões para 12,1 milhões de toneladas, recuando 4,5% em volume e 14,7% em valor.

  • Soja: R$ 14,4 bilhões (queda de 15,3%)
  • Algodão: R$ 6,4 bilhões (queda de 11,9%)
  • Milho: R$ 2,4 bilhões (queda de 19,7%)

Mesmo em baixa, os grãos ainda representam mais da metade da agricultura baiana.

Oeste mantém destaque nacional

Municípios do Oeste, como São Desidério (R$ 6,6 bilhões) e Formosa do Rio Preto (R$ 4,9 bilhões), permaneceram entre os dez maiores do Brasil, sendo os únicos fora da região Centro-Oeste. Também figuraram entre os 50 maiores valores agrícolas nacionais Barreiras, Correntina, Luís Eduardo Magalhães, Juazeiro e Riachão das Neves.

No top-10 baiano, municípios como Ibicoara e Casa Nova ganharam relevância.

Diversificação e desafios

O desempenho de 2024 mostra que a agricultura da Bahia passa por uma reestruturação produtiva. O crescimento do cacau e da fruticultura ajudou a compensar a retração dos grãos, reduzindo a dependência de commodities mais expostas à volatilidade internacional.

Apesar disso, a perda de liderança no cacau para o Pará evidencia a necessidade de maior investimento em tecnologia e produtividade. O desafio agora é consolidar uma estratégia sustentável que garanta competitividade global e fortalecimento regional.

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