Na noite desta quinta-feira (19), o Arraiá da Capital do Oeste deixou claro que o São João em Barreiras não é apenas uma festa — é um reencontro com raízes, com lembranças, com tudo aquilo que faz o sertão pulsar mesmo sob o frio que começa a cair em junho. A multidão chegou cedo, atraída pela mistura certeira de tradição, música e emoção. E quem foi, dançou.

Logo nas primeiras horas, os passos ritmados das quadrilhas do CRAS e do grupo Remelexinho abriram os caminhos da noite. Figurinos vivos, coreografias ensaiadas e um público que assistia com os olhos marejados — era a cultura local ganhando corpo diante da multidão.

O clima esquentou de verdade quando a Banda Coração do Brasil subiu ao palco. Sanfona, triângulo e zabumba fizeram o que sabem fazer: puxar a alma para o terreiro. Na sequência, a Rasta Chinela trouxe um forró que não envelhece. “Amor Amor”, “Ei Flor” e “Ciumenta” reacenderam memórias de quem já dançou muito nos salões do interior. Rafa Xavier, vocalista da banda, emocionado, lembrou que tocar em Barreiras é como cantar em casa.

Paula Fernandes entrou em cena logo depois, suavizando o ritmo com suas canções carregadas de melodia e afeto. “Tocando em Frente” virou coro uníssono, com gente abraçada e olhos fechados — era mais do que um show, era um momento.

O ritmo subiu de novo com Caninana, que trouxe de volta o som arrochado do forró tradicional. E então veio Kátia Cilene, com a voz que embalou amores de décadas atrás. “Meu Vaqueiro, Meu Peão” pareceu atravessar o tempo. Entre casais abraçados e gritos nostálgicos, ficou evidente que o São João é também um lugar onde se guarda o que é eterno.

A madrugada chegou com o som da Banda Milho Cru, que amarrou tudo com seu forró pé de serra e um xote redondinho que não deixou ninguém parado. Ali, debaixo de bandeirolas e entre barracas de milho e licor, o povo dançava como se o dia seguinte não existisse.

A cada canto do Complexo Esportivo, barracas com comidas que aquecem: caldo de aipim, canjica, pamonha, carne de sol na manteiga, além de drinks que misturam tradição e ousadia. A comida, assim como a música, virou ponte entre o presente e o que a gente não quer esquecer.

O São João segue firme. Nesta sexta-feira (20), o palco recebe Baião de Dois, Peruano, Bruno César & Rodrigo, Lauana Prado e Isaías Estilizado. Mas o que ficou desta segunda noite foi claro: a tradição ainda tem força. E quando toca o forró certo, não há distância entre ontem e hoje — tudo vira presente no compasso da sanfona.

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