
Marco, com a mão na cabeça pra não perder o juízo, ajudava a organizar a realização de uma passeata. Finda a reunião, Zé Walter, companheiro de partido, o convidou pra conhecer um cabra, dito diferenciado.
Oxente! Aquilo era hora?
Marco tinha um ditadura pra ajudar a derrubar, logo sem tempo pra visitar alguém. Zé Walter insistiu.
Marco, pra agradar aquele companheiro tão legal, tão gente boa, cedeu e foi conhecer o cara.
Zé Walter o levou ao quarto de uma pensão, na Av. Sete, em Salvador. Eita zorra, que mizerê!
Zé Walter apresentou a Marco, um cabra magro, quinem cavalo na seca, mais cabeludo do que Sansão antes de Dalila, sentado numa cama que pedia a Deus que a jogassem fora.
Esse cabra é meu primo. Compõe e canta bem demais, disse Zé.
Então, o cabeludo pegou o violão e botou pra lá.
Vixe Maria!
Marco caiu o queixo.
Eita porra!
Esse cabra é um retado!
PQP…
O cabeludo, desconhecido, que vivia naquela pensão de quinta, fez milhões de pessoas felizes, na Oroba, França e Bahia.
Esse cabra retado era Moraes Moreira!
Enxugo, agora, uma lágrima teimosa que insiste em rolar.
Qual o quê!?
Prefiro relembrar a praça balançando e fazendo felizes milhões de olhos negros tentadores de um multidões com um cantor.
Moraes Moreira Vive !
