O secretário executivo do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o médico sanitarista Jurandir Frutuoso, informou nesta quarta-feria (29|abr) que as remessas de equipamentos de proteção individual (EPIs) feitas pelo Ministério da Saúde aos Estados são insuficientes. Ele participou da reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados sobre ações de prevenção e combate ao coronavírus no Brasil, informa a Agência Câmara de Notícias.
“A angústia continua forte, porque a insuficiência de EPIs nos estados tem consequência grave: a redução da força de trabalho – por adoecimento dos profissionais e por medo”, alertou, lembrando que a pandemia ainda está a caminho do pico. Conforme ele explicou, 920 mil trabalhadores estão envolvidos diretamente no combate ao coronavírus. Ele citou alguns dados comparando as necessidades dos Estados para os próximos três meses e o material efetivamente enviado pelo ministério até o momento:
– Aventais hospitalares – 21,2 milhões são necessários e estão em processo de compra pelos estados; 674 mil foram enviados pelo ministério.
– Luvas de látex – são necessários 222 milhões; 15,8 milhões entregue pelo ministério.
– Máscaras de proteção respiratória – 15,9 milhões são necessárias; 1,2 milhão foram enviados.
– Óculos de proteção – Estados previram a necessidade 2,1 milhões; 59,4 mil foram entregues.
– Protetores faciais de acrílico – 452 mil são necessários; nenhum foi enviado pelo ministério.
– Toucas hospitalares descartáveis – 32,2 milhões são necessárias; 12 milhões foram enviadas.
De acordo com Jurandir, os recursos enviados pelo ministério aos estados até agora foram absorvidos sobretudo para a expansão da rede, já que o Sistema Único de Saúde (SUS) estava desestruturado, pela falta de investimento ao longo dos últimos anos. Segundo ele, o Brasil hoje não tem capacidade de produzir equipamentos básicos, como máscaras, e existe uma dificuldade de compra dos produtos do mercado internacional. “A competição internacional debilitou mais o poder de compra do Brasil, que não consegue competir com os grandes, como EUA, Inglaterra e Alemanha”, disse. Diante dessa realidade, alguns Estados do Nordeste como Ceará e Maranhão compraram por conta própria.