A produção de etanol de milho no Nordeste avança com novos projetos que devem adicionar 1,3 bilhão de litros à oferta regional, somando-se aos 2,3 bilhões de litros já produzidos a partir da cana-de-açúcar. O movimento reforça a autossuficiência, reduz custos logísticos e amplia o consumo do biocombustível em estados como Maranhão, Bahia, Piauí e Ceará.
No Maranhão, a inauguração de uma usina em Balsas vai dobrar a capacidade de produção, alcançando 900 milhões de litros. Já na Bahia, uma fábrica da Inpasa em Luís Eduardo Magalhães deve acrescentar 400 milhões de litros à oferta. A tendência é diminuir a dependência de transferências vindas do Centro-Sul durante a entressafra canavieira, além de garantir maior estabilidade no fornecimento de etanol e subprodutos como os grãos secos de destilaria (DDGS), usados na nutrição animal.
A Paraíba também registra crescimento no consumo de etanol, com participação cada vez mais significativa no mercado regional. Ainda assim, a demanda nordestina representa uma pequena fatia do consumo nacional, concentrado em seis estados produtores — São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul — que respondem por 80% das vendas e 55% da frota flex do país.
Para o ciclo 2025-2026, a produção brasileira de etanol de milho deve atingir 10 bilhões de litros. Projetos em andamento na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e novas plantas em construção devem adicionar de 8 a 10 bilhões de litros nos próximos anos. O mercado interno será o principal responsável por absorver esse crescimento, já que ainda não há perspectiva de expansão internacional significativa, seja por meio do combustível sustentável de aviação (SAF) ou da ampliação da mistura de etanol anidro na gasolina em outros países.
Outro ponto em discussão é a tarifa de 18% para importação de etanol, aplicada desde 2023 a países de fora do Mercosul. Essa taxa tem protegido o setor nacional contra a concorrência externa, especialmente dos Estados Unidos. Caso o governo reveja a medida em futuras negociações, produtores nordestinos poderão enfrentar queda nos preços e aumento da competitividade internacional.
Com os investimentos em andamento, a expansão do etanol de milho no Nordeste representa um marco para a segurança energética, a sustentabilidade e o fortalecimento da cadeia de biocombustíveis no Brasil.
