
Segundo os dados, a Bahia chegou a assumir a liderança nacional no crescimento da produção de algumas frutas. A fruticultura gerou para o estado, no ano passado, R$ 3,074 bilhões, o que representou 8,6% do valor da produção nacional (R$ 35,708 bilhões) e o segundo maior montante entre os estados, abaixo só de São Paulo (R$ 11,492 bilhões). Analisando cada um dos 21 alimentos que compõem o grupo das frutas, a manga é a que mais alavancou os números.
O superintendente de Política do Agronegócio da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Irrigação, Pesca e Aquicultura (Seagri), Eduardo Rodrigues, explica que a queda ocorreu pela safra “extraordinária” registrada anteriormente. “2019 foi um ano de safra normal, considerada boa. Houve a queda na produção de grãos na região Oeste, a exemplo da soja e do milho, porque a safra anterior 17/18 foi uma safra extraordinária, a maior da história”, aponta o superintendente.
O aumento na fruticultura era esperado, indica Rodrigues, ocorrendo devido à maior produtividade, resultado do aporte tecnológico empregado na produção e no processamento das frutas, combinado com a expansão da área plantada. “Vale destacar também o aumento das exportações”, pontua.
O Vale do São Francisco é a principal região produtora de frutas na Bahia, com destaque para uva e manga. Eduardo Rodrigues aponta que a tendência é que o estado ultrapasse Pernambuco como o maior do Brasil devido à expansão da produção frutífera para outros municípios, como Livramento de Nossa Senhora e Bom Jesus da Lapa.
Manga
A pesquisa mostra que a safra de manga baiana foi a que mais cresceu no país, no que diz respeito ao crescimento absoluto tanto na quantidade colhida quanto no valor gerado. Assim, embora o estado tenha se mantido como o segundo maior produtor da fruta em toneladas, recuperou o posto de maior valor de produção, ultrapassando Pernambuco.
O aumento foi puxado pela exportação, afirma o produtor e consultor técnico de manga da Produtiva Agrícola e Consultoria, Rogério Martins. “O volume de produção caiu em alguns países, o que fez com que a região exportasse mais, já que produzimos manga durante o ano inteiro”, informa. O câmbio mais favorável também influenciou.
O produtor e consultor aponta que a proximidade do Rio São Francisco é o que permite que o município de Juazeiro – e todo o vale do Velho Chico – seja o maior produtor de manga do estado. “Temos o acesso facilitado a água e um clima mais estável, o que favorece a produção. Além disso, temos investido em tecnologia, o que permite um melhor manejo da planta”.
A safra baiana de manga foi de 442.233 toneladas em 2019, crescimento de 16,9% em relação a 2018; e gerou um valor de R$ 652,4 milhões, 54,4% maior. Com abundância de água e clima e solo favoráveis, Juazeiro consegue ter dois ciclos produtivos por ano, o que não ocorre em outras regiões do país. Resultado: garantiu o posto de segundo município brasileiro com maior produção de frutas.
