No mês passado, a vereadora Carmélia da Mata esteve no Estádio Municipal Geraldo Pereira, o Geraldão, e se deparou com um cenário desolador: abandono total. A visita apenas confirmou o que já era de conhecimento geral — apesar de ter sido “reinaugurado” em 2024, o Geraldão continua sem condições reais de uso.
Esse caso expõe a falta de compromisso com o uso responsável dos recursos públicos e escancara a ausência de planejamento estratégico no aproveitamento dos espaços urbanos de Barreiras.
Quando estive à frente da pasta dos Esportes entre 2017 e 2019, no governo Zito Barbosa, propus uma solução ousada, mas tecnicamente viável: a transferência do estádio para o Centro Esportivo de Barreirinhas — área com vocação esportiva comprovada e infraestrutura básica já instalada. A proposta previa a construção de uma nova arena multifuncional, com capacidade inicial para 2 mil pessoas, expansível para até 10 mil, integrando esporte e cultura em um equipamento.
A ideia foi ignorada. E o resultado é o que se vê hoje: o Geraldão tornou-se um símbolo do vazio. A área em que está localizado, no centro da cidade, é subutilizada. O estacionamento, talvez, seja o único ponto ainda funcional — e, paradoxalmente, representa uma oportunidade: ali poderia ser implantada, por exemplo, uma estação de transbordo do transporte público.
Imagine um terminal urbano interligando todas as linhas de ônibus de Barreiras e também o transporte alternativo regional, atendendo trabalhadores e estudantes que circulam diariamente pelo maior centro comercial do Oeste da Bahia? Seria um ganho real em mobilidade urbana, algo que a cidade clama.
Mas o que impede esse avanço? Provavelmente o dinheiro já investido na requalificação do Geraldão — que, diga-se, resultou em uma estrutura de estética terrível e funcionalidade questionável — nos amarra a uma decisão equivocada. Estamos diante do pior cenário possível: “nem mel e nem cabaça”.
Grupos de influência seguem resistindo à mudança, sustentados por argumentos emotivos, como se a permanência do Geraldão no centro fosse questão de identidade ou pertencimento. Ignoram, no entanto, o crescimento urbano de Barreiras e o papel social que os espaços públicos devem desempenhar.
O exemplo de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, é revelador: o Estádio dos Eucaliptos, que sediou partidas da Copa do Mundo de 1950 e pertencia ao Internacional, foi demolido em 2012 para dar lugar a um conjunto habitacional. Nem por isso o futebol gaúcho desapareceu — ao contrário, Inter e Grêmio seguem protagonistas no cenário nacional.
Em quase três anos gestão, não presenciei uma única competição no Estádio Geraldão que tenha reunido mais de 300 pessoas entre boleiros e torcedores. É irracional manter uma estrutura cara, mal projetada e de pouquíssimo uso apenas por apego simbólico de alguns. O estádio como está, com custo de manutenção elevado e retorno social quase nulo, é desrespeitoso com a população e com o futuro da cidade.
O Geraldão, hoje, é como um famoso, mas velho, atacante: caro, lento e que atrapalha o time.
