Quanto vale o Campeonato Brasileiro? Se dentro do mercado nacional essa é uma conta factível, com décadas de venda de direitos de televisão e patrocínios, globalmente esse é um absoluto mistério. Diferentemente do que acontece com as principais ligas do mundo, no Brasil, o torneio sempre funcionou como um braço da emissora local, a Globo, sem planos de expansão.
Detentora dos direitos internacionais, a Globo usava o Brasileirão para alimentar sua própria programação. Até o ano passado, por exemplo, era possível assistir ao torneio pelo Premiere e pela própria Globo nos Estados Unidos, em assinaturas de US$ 25. Não havia, por parte da organização do torneio, a preocupação em ir além, em buscar novos públicos e novos mercado. Por isso, não é nenhum absurdo dizer que ninguém sabe ao certo quanto vale o Brasileirão, o quanto que as emissoras ao redor do mundo estariam dispostas a gastar para exibir os principais jogos do país.
Isso explica muito por que a IMG, a candidata mais conceituada na disputa pelo torneio, não queira dar um valor fixo pelo Brasileirão. Em termos de know-how de venda de direitos de transmissão, a agência não pode ser comparada às outras duas postulantes ao produto – Betsul e TV N Sports. E é compreensível que ela pise em ovos antes de fazer uma proposta significativa.
Até porque não é difícil de supor que o Campeonato Brasileiro seja um produto ruim. Não há nos gramados nacionais nomes que possam empolgar um grande público; de Gabigol a Honda, o torneio acumula atletas que fracassam nos principais palcos do mundo. E a consequência é um nível ruim, muito abaixo das principais ligas. Para piorar, em jogos na madrugada europeia e em horários nobres demais no restante da América. Soma ainda os problemas já conhecidos, de baixo público, eventos em Data Fifa, entre outros.
Historicamente, a CBF, organizadora do Brasileirão, tem o mínimo de cuidado para pensar no Brasileirão como produto, mesmo em questões simples. Basta lembrar que o torneio passou a ter redes sociais apenas recentemente. Os cuidados das últimas temporadas, por sinal, parecem apenas maquiagem para os reais problemas. Neste ano, haverá protocolo de início, mas com jogos ao longo da Copa América.
A venda internacional faria naturalmente parte dessa construção do Brasileirão como um produto mais interessante no mercado. Caso os clubes a faça com responsabilidade, seria com décadas de atraso. O Brasileirão ainda não existe no mundo.
Por Duda Lopes
Diretor de novos negócios da Máquina do Esporte