A capital do Oeste, Barreiras, sustenta o título de “melhor cidade do Brasil para fazer negócios no agronegócio” – sinceramente não sei de onde isso saiu.
Estrategicamente localizada, com infraestrutura em expansão e forte presença empresarial nos setores da agricultura, comércio e serviços, o município se consolidou como um dos polos do nordeste brasileiro. Mas se há avanços econômicos por um lado, por outro a educação básica revela um cenário que merece reflexão — e ação imediata.
Segundo o “Indicador Criança Alfabetizada”, uma iniciativa do governo federal em parceria com estados e municípios, divulgado recentemente pelo Ministério da Educação, Barreiras não alcançou a meta estabelecida para o ano de 2024 de alfabetizar 44% de seus alunos ao final do 2º ano do ensino fundamental, registrando apenas a marca de 36%.
O município aparece, lamentavelmente, na 194ª posição entre as 417 cidades baianas e foi classificado como tendo “nível zero” de alfabetização, de acordo com os critérios do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA). Se nos serve, os números das cidades vizinhas são infinitamente melhores.
O dado é preocupante. Não apenas por sua posição numérica, mas por representar o destino de pessoas reais, de crianças – muitas delas em situação de vulnerabilidade — que não estão adquirindo as habilidades mais básicas da vida escolar. A alfabetização é a porta de entrada para todo o aprendizado futuro, e seu comprometimento afeta diretamente o desenvolvimento social, cultural e econômico das próximas gerações.
É isso que a Capital do Presente quer para o seu Futuro?
É inevitável, diante disso, mencionar que Barreiras recebeu mais de R$ 200 milhões em recursos do precatório do Fundef no ano de 2017, verba federal vinculada à educação e que, em tese, deveria contribuir significativamente para elevar a qualidade do ensino. O baixo índice de alfabetização coloca em xeque a eficácia da aplicação desses recursos e aponta para a necessidade urgente de reavaliar prioridades e estratégias.
Após oito anos de uma mesma gestão, que teve mais que o dobro de recursos dos governos anteriores, o que se esperava era um resultado pelo menos um pouco mais expressivo nas avaliações de aprendizagem. A disparidade entre a pujança econômica da cidade e o desempenho educacional dos seus estudantes mais jovens é um alerta claro: o crescimento que não chega à sala de aula pode cobrar um alto custo no futuro.
Não ignoro avanços pontuais nem desconsidero a complexidade dos desafios educacionais enfrentados em todo o país. Mas defendo que, em uma cidade com tamanho potencial, alfabetizar crianças na idade certa não pode ser exceção — deve ser regra, prioridade e compromisso central de qualquer governo.
Confesso que me basta a melhor cidade do Brasil para fazer negócios seja apenas a melhor cidade para alfabetizar crianças no Oeste da Bahia.
