Promovida pelo Governo Federal, a redução de R$ 3,1 bilhões para R$ 2,3 bilhões, do recurso reservado para o levantamento dos dados sobre a população brasileira, vai impactar diretamente na destinação de verbas para as políticas públicas. Esta é a opinião de pesquisadores que participaram de debate na Comissão de Orçamento do Congresso. Os cortes, segundo eles, terão impacto especialmente na logística do Censo. “A gente tem que se contrapor a esses improvisos, resgatar o que já foi planejado, o que já foi testado e o orçamento que prevê as fases e as partes de realização do Censo que são imprescindíveis, como o número de entrevistadores, a remuneração dos entrevistadores, o gasto com publicidade, toda a logística – que, essa, sim, garante a qualidade”, disse Dione Oliveira, representante do sindicato dos servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ela recomendou aos parlamentares a recomposição das verbas para o Censo Demográfico.

De acordo com a pesquisadora da Fiocruz Débora Pires, a falta de dados sobre a população brasileira vai dificultar a elaboração estratégias e a definição de prioridades. “O Censo é utilizado para distribuição de recursos, para informar política de transporte, política de saneamento, a quantidade de equipamentos (escolas, creches, hospitais), a Previdência, a composição do mercado consumidor e de trabalho, os royalties do petróleo… Tudo é feito com base nas contagens populacionais, nas estimativas do Censo e nas outras perguntas. Se a gente não tiver isso, a gente gera na verdade um caos administrativo. Como é que a gente consegue administrar um País se a gente não tem nenhuma informação sobre ele?”, questionou. O governo defende a ideia de que outras fontes de pesquisa poderão substituir parte dos dados que não serão coletados.

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