A Petrobras anunciou a compra de 27,5% de participação no bloco 4 de exploração de petróleo em São Tomé e Príncipe, na costa oeste da África. A operação integra a estatal ao consórcio formado pela Shell (30%), operadora do ativo, pela Galp (27,5%) e pela ANP-STP (15%), órgão regulador local.
A medida faz parte do Plano Estratégico 2025-2029, que busca diversificação geográfica, recomposição de reservas e exploração de novas fronteiras energéticas. A iniciativa está alinhada à estratégia de longo prazo da companhia, que prevê mitigar riscos diante do declínio esperado da produção do pré-sal brasileiro após 2030.
Além de reforçar a presença no continente africano, a Petrobras aposta em regiões com potencial ainda pouco explorado, fortalecendo parcerias internacionais e reduzindo a dependência das reservas nacionais.
O movimento segue a tendência de expansão no mercado africano. Em 2024, a estatal firmou acordo com a TotalEnergies para atuar no bloco Deep Western Orange Basin, na África do Sul, e iniciou negociações para explorar nove blocos offshore na Costa do Marfim. Essas ações confirmam a estratégia de diversificação de portfólio no exterior.
Apesar da relevância do anúncio, a Petrobras não revelou o valor da aquisição nem os retornos esperados do investimento. A falta de transparência gera questionamentos sobre o nível de risco da operação e a viabilidade econômica diante do cenário global de transição energética.
A entrada em São Tomé e Príncipe representa mais um passo da estatal na busca por sustentabilidade de longo prazo, equilibrando a expansão internacional com os desafios da descarbonização e da governança no setor de petróleo e gás.
