A rapper, historiadora, ex-empregada doméstica e escritora Joyce Fernandes, a Preta Rara, é o destaque da semana na prestigiosa revista “M”, do jornal Le Monde. A publicação dedica duas páginas às revelações do livro “Eu, empregada doméstica” (editora Letramento), lançado recentemente no Brasil, que representa “o desfecho de um processo de revolta transformado em luta por esta jovem negra de 32 anos”.

Na obra, a “porta-voz das domésticas no Brasil”, segundo a revista, conta a experiência que viveu como trabalhadora doméstica durante sete anos em Santos, onde nasceu, e centenas de relatos anônimos de outras mulheres, enviados à página que criou na rede social. As situações descritas são humilhantes e demonstram a forma como o Brasil perpetua o ranço colonial, fazendo das negras escravizadas no passado as empregadas domésticas da atualidade.

“M” destaca que o Brasil é o país com o maior número de domésticas no mundo, um contingente de cerca de 6,2 milhões de pessoas, segundo o censo do IBGE de 2018, sendo que 78% delas são mulheres negras, como Preta Rara. “Elas não têm outra escolha a não ser pegar a vassoura que antes esteve entre as mãos de suas mães e avós”, constata.

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