Aumentar a tributação sobre os mais ricos para transferir renda aos mais pobres pode contribuir para a recuperação da atividade econômica, além de reduzir a desigualdade, aponta estudo inédito realizado pelo Made-USP (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da Universidade de São Paulo).
Conforme o estudo, diz Thais Carrança, da BBC, uma política de proteção social financiada a partir da tributação do 1% mais rico, que garanta a transferência de R$ 125 por mês para os 30% mais pobres, pode ter um impacto positivo de 2,4% no PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, por exemplo, ao longo de um determinado período, como um ano ou um trimestre).
Levando em conta então a atual estrutura de distribuição de renda da economia brasileira e as diferentes propensões a consumir de cada faixa de renda, Laura Carvalho, Rodrigo Toneto e Theo Ribas, autores do estudo, mostram que, cada R$ 100 transferidos do 1% mais rico para os 30% mais pobres geram uma expansão de R$ 106,70 na economia.
Recentemente o Senado argentino aprovou um imposto que incidirá sobre patrimônios acima de 200 milhões de pesos (R$ 12,5 milhões) com previsão de atingir entre 9 mil e 12 mil contribuintes. Embora o tributo tenha sido aprovado em caráter extraordinário para arrecadar recursos para os gastos com a pandemia uma única vez, a medida levantou novamente a discussão sobre o potencial arrecadatório, os riscos de saída de capitais e os efeitos sobre a desigualdade de uma taxação anual de grandes fortunas.
O governo argentino estima que a arrecadação com o recém-aprovado “imposto sobre os milionários” será superior a 300 bilhões de pesos (R$ 19 bilhões), o que representaria quase 1% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.