
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou atraso significativo nas obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), no trecho entre Caetité e Barreiras, na Bahia. O levantamento integra o Plano Anual de Fiscalização de Obras Públicas (Fiscobras 2025) e revela que o Lote 5F da Fiol II, sob o Contrato 7/2024, alcançou apenas 3% de execução após nove meses de vigência.
De acordo com o relatório, nenhuma etapa de construção foi iniciada até o momento. O principal motivo seria a falta de aprovação dos projetos executivos pela estatal Infra S.A., responsável pela ferrovia. Sem essa liberação, permanecem parados serviços fundamentais como terraplenagem, drenagem e obras de arte.
O TCU apontou ainda que os atrasos somam nove meses na elaboração dos projetos e quatro meses na execução física das obras, o que pode comprometer o cronograma geral da ferrovia. A instituição destacou que a lentidão na execução representa risco direto para o desenvolvimento logístico da Bahia, já que a Fiol é considerada essencial para o escoamento de grãos e minérios do interior.
O órgão de controle também alertou que a ausência de medidas administrativas contra empresas que descumprirem o cronograma pode caracterizar omissão da gestão pública, embora cada situação deva ser analisada individualmente, com direito à defesa das contratadas.
Com 1.527 quilômetros de extensão projetada, a Fiol ligará a Ferrovia Norte-Sul, no centro do país, ao futuro Porto de Ilhéus, no litoral sul baiano. A obra é considerada estratégica para reduzir custos logísticos, impulsionar a competitividade do agronegócio e fortalecer o desenvolvimento econômico regional.
O trecho entre Caetité e Barreiras integra a chamada Fiol II, sob gestão da Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes. Quando concluída, a ferrovia deve transformar o transporte de cargas na Bahia e ampliar a integração com os principais corredores logísticos do país.
