Depois de mais de uma década sem operar comercialmente, o Rio São Francisco está prestes a voltar ao mapa logístico do Brasil. Um novo projeto de hidrovia promete reativar a navegação de cargas entre Pirapora (MG) e Petrolina (PE), abrindo um corredor aquaviário de 1.371 km que poderá escoar até 5 milhões de toneladas no primeiro ano de operação.

Conhecido por abastecer milhões de brasileiros em mais de 500 municípios, o “Velho Chico” terá agora um papel estratégico no transporte nacional. A iniciativa, coordenada pelo Ministério de Portos e Aeroportos, prevê os primeiros estudos técnicos ainda para junho de 2025. A operação da rota ficará sob a responsabilidade da Codeba (Companhia das Docas do Estado da Bahia), em parceria com a Antaq.

A nova hidrovia surge como alternativa sustentável à malha rodoviária. Segundo o governo federal, um único comboio fluvial pode tirar até 1.200 caminhões das estradas, reduzindo drasticamente as emissões de CO₂ e o desgaste da infraestrutura terrestre. O transporte por rios, ainda pouco explorado no Brasil, ganha força como uma das apostas para o futuro da logística.

Etapas da retomada

A execução da hidrovia está dividida em três fases. O primeiro trecho abrange 604 km, entre Juazeiro e Ibotirama, passando por Sobradinho. Nessa etapa, as cargas seguirão até o Porto de Aratu-Candeias (BA) por via rodoviária.

A fase seguinte cobre mais 172 km de navegação até os municípios de Bom Jesus da Lapa e Cariacá, interligando a hidrovia com a malha ferroviária que conduz aos portos de Ilhéus e Aratu.

Por fim, o terceiro estágio expande a navegação até Pirapora, em Minas Gerais, somando mais 670 km de extensão à rota.

Produtos e destinos

O projeto prevê o transporte de uma variedade de cargas: de Pirapora sairão gipsita, calcário e drywall, enquanto Juazeiro será ponto de origem para açúcar e óleo. O sal do Rio Grande do Norte também ganhará nova rota via Remanso (BA), alcançando o Sudeste brasileiro.

No sentido inverso, o café produzido em Minas deverá seguir rumo ao Nordeste, abastecendo cidades como Petrolina e Juazeiro. Já os grãos e insumos agrícolas oriundos de Luís Eduardo Magalhães e Barreiras serão levados por terra até Ibotirama, de onde seguirão pelo rio até o litoral.

Terminais e infraestrutura

Para dar suporte à operação, o projeto contempla a criação de 17 portos de pequeno porte, conhecidos como IP4. Esses terminais serão instalados em cidades estratégicas da Bahia, Pernambuco e Alagoas, com seis já em fase de projeto. Os primeiros editais — relativos a Petrolina e Juazeiro — devem ser publicados em setembro, e as obras começam em janeiro de 2026.

Segundo o Ministério, grandes grupos logísticos já demonstraram interesse na concessão da hidrovia. A proposta vai além de transporte: é uma tentativa de integrar a economia regional, reduzir custos, gerar empregos e dar novo sentido ao Rio São Francisco — não apenas como fonte de vida, mas também como caminho para o desenvolvimento.

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