Na sessão desta segunda-feira (27), na Câmara Municipal de Barreiras, a vereadora Carmélia da Mata fez um pronunciamento duro sobre a situação fiscal do município e a condução da gestão do prefeito Otoniel Teixeira.

Durante o discurso, a parlamentar apontou uma série de inconsistências contábeis e sinais de desequilíbrio financeiro que, segundo ela, acendem um alerta sobre a real condição das contas públicas.
Um dos pontos centrais foi a identificação de possíveis erros na classificação de despesas.

De acordo com Carmélia, gastos com juros da dívida teriam sido registrados como amortização — ou seja, como pagamento do principal. Essa prática distorce os dados fiscais, já que oficialmente a prefeitura declarou não ter pago juros (R$ 0,00), enquanto registros indicariam o contrário. O volume dessas inconsistências pode chegar a cerca de R$ 27,9 milhões.

A vereadora também criticou a falta de transparência nas informações apresentadas. Para ela, as divergências contábeis comprometem a confiabilidade dos relatórios oficiais, dificultando uma análise precisa da saúde financeira do município e de sua capacidade de assumir novos compromissos.

Outro ponto destacado foi o atraso no pagamento de fornecedores, especialmente nas áreas de saúde e limpeza urbana. Segundo a parlamentar, há casos de despesas não pagas ou quitadas com atraso, além de situações em que sequer houve empenho — etapa necessária para o registro formal da obrigação. Esse cenário indicaria acúmulo de dívidas de curto prazo não refletidas com clareza nos balanços.

Carmélia chamou atenção ainda para o descompasso entre despesas liquidadas e valores efetivamente pagos, estimado em aproximadamente R$ 17,8 milhões. Para ela, esse desequilíbrio é um indicativo de dificuldades de caixa e aumento de compromissos pendentes.

Por fim, a vereadora criticou o uso de receitas futuras para cobrir despesas atuais. De acordo com o discurso, o município teria antecipado recursos previstos para 2026 — como repasses de ICMS e Fundeb — para custear obrigações de 2025. Embora a medida possa aliviar momentaneamente o caixa, ela transfere a pressão financeira para o exercício seguinte.

O pronunciamento reforça o clima de preocupação com a gestão fiscal de Barreiras e deve intensificar o debate sobre transparência e equilíbrio das contas públicas no município.

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