Em sabatina à Jovem Pan, na manhã desta terça-feira, 8, o candidato a deputado federal Zito Barbosa tentou se descolar do governo do prefeito Otoniel Teixeira. Reconheceu a má avaliação da gestão e atribuiu os problemas, principalmente, à suposta incapacidade de diálogo do atual gestor de Barreiras com a Câmara de Vereadores. Mais do que uma análise, porém, a fala revela uma estratégia política bastante conveniente.
Ao não fazer qualquer mea-culpa pela escolha de Otoniel como seu sucessor, Zito parece querer deixar o próprio escolhido entregue às cobras. A estratégia é clara: preservar sua imagem, conquistar votos para a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados em 2026 e, ao mesmo tempo, preparar o terreno para um eventual retorno à Prefeitura de Barreiras em 2028.
Há, porém, uma contradição evidente. Zito negociou pessoalmente com a atual Câmara de Vereadores a aprovação de mais um empréstimo para o município. Não conseguiu. Agora, tenta atribuir exclusivamente a Otoniel os problemas de relacionamento entre Executivo e Legislativo.
É a velha prática da terceirização da culpa. Quando a gestão colhe resultados positivos, Zito se apresenta como protagonista. Quando surgem problemas, procura um culpado ao seu redor. Desta vez, o alvo é justamente quem ele próprio escolheu e apontou como o melhor.
A realidade de Barreiras é mais complexa. A situação atual não pode ser analisada ignorando o cenário deixado pela administração Zito Barbosa: dívidas, compromissos assumidos e uma estrutura política na qual Otoniel jamais teve plena autonomia para exercer a liderança que o cargo exigia.
Otoniel não deixou de ser líder simplesmente porque não quis. A questão é que, durante seu mandato, nunca conseguiu ocupar plenamente esse espaço. Zito continua exercendo forte influência sobre decisões políticas e administrativas, mantendo-se como uma espécie de eminência parda do governo.
Na prática, Zito não deixou completamente a Prefeitura. Contratos, nomeações, exonerações, articulações políticas e interlocução com setores influentes continuavam na sua órbita de poder.
Otoniel ficou com a caneta, mas sem o poder político necessário para utilizá-la livremente.
Por isso, tentar agora apresentar Otoniel como o único responsável pelo fracasso da gestão é uma leitura conveniente demais para ser considerada completa. Se Otoniel foi uma escolha errada, Zito precisa assumir sua parcela de responsabilidade. Se o governo tem problemas, Zito precisa explicar quais são eles. E, se havia uma estrutura de poder paralela, também precisa responder por ela.
Não é possível ser pai político de uma escolha quando ela dá certo e apenas espectador quando dá errado.
Zito pode até tentar se descolar de Otoniel. Mas, politicamente, existe uma pergunta da qual ele não conseguirá fugir: quem escolheu Otoniel para governar Barreiras?
A resposta é conhecida. E é justamente por isso que a tentativa de terceirizar a culpa pode revelar mais sobre os planos de Zito para 2026 e 2028 do que sobre os problemas atuais da Prefeitura.
