Imagem: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Grosseiro, apedeuto, insosso, rude, escabroso, tosco, insensível, estúpido, caquético, trapaceiro, abominável, imprudente… Não faltam adjetivos para nominar o atual presidente da República, Jair Bolsonaro. Mas no quesito eleições, voto na urna, o Messias é do ramo.

Enquanto ele interpreta papéis dos mais diversos, de animador de plateia ensandecida nas redes sociais a soldadinho de chumbo no quarteis do país, azeita a máquina eleitoral com vistas às eleições de 2022. Ao tempo que blefa com enlevos autoritários, o que provoca a fúria do resistente cordão da sensatez, se movimenta no campo da disputa eleitoral.

Se ele devaneia com um golpe, em romper com as instituições democráticas? Não tenha dúvida. Mas Jair sabe de modo acabado que isso é impossível. E mesmo que seja, se for via militar, instantaneamente um general estrelado tira sua faixa presidencial e envia o capitão a Barra do Chapéu, no Vale do Ribeira, para ser prefeito-biônico.

De milico e eleitor, Bolsonaro entende!

O precioso tempo do ex-deputado no Planalto, desde 1º de janeiro de 2019, quando tomou posse, tem sido para cuidar da própria reeleição.

Ele não pensa em outra coisa!

É aí que chego ao Nordeste.

Ao assumir o posto de presidente, o governo Bolsonaro se inicia sem um único ministério chefiado por um nordestino. Talvez por ter obtido apenas 25% dos votos no primeiro turno na região justifique o fato.

Mas a poeira baixou e o rescaldo das urnas exigiu do eterno candidato um rearranjo das forças de modo a permitir melhor desempenho eleitoral por aqui.

Diferentemente do que o profissional do voto Jair Messias dizia na campanha com o objetivo de “vender o peixe”, de fisgar o eleitor, que teria um governo de técnicos e não de políticos, ele vem cuidadosamente loteando cada prédio da Esplanada.

Atualmente, o Messias não tem técnicos do Nordeste na chefia das pastas, mas sim políticos de carreira.

Hoje, o Jair conta no seu ministério com candidatos e não com executivos da iniciativa privada.

E aqui, eu cito três ministros, de três estados da região filiados a três partidos diferentes.

Os três ensaiam candidaturas a governador que tem como objetivo, por parte do chefe, garantir palanque nos estados.

Do Rio Grande do Norte, Bolsonaro conta com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, do PSD, filho do ex-governador Robinson Faria. Em Pernambuco, com o ministro do Turismo, Gilson Machado, do PSC, sobrinho do ex-deputado Gilson Machado Filho. E, finalmente, da Bahia, com o ministro da Cidadania, João Roma, do PRB, ex-afilhado de ACM Neto.

Mas a incursão palaciana pelo Nordeste não para por aí.

O Ceará, terceiro maior colégio eleitoral da região, ganhou na última mexida ministerial os comandos do Exército, com Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e da Aeronáutica, com Carlos Alberto Batista Júnior. O estado já contava, no Ministério da Saúde, com a médica Mayra Pinheiro, porta-voz do ex-ministro Eduardo Pazuello, que obteve mais de 880 mil votos para senadora em 2018.

No restante da região Nordeste, Bolsonaro aguarda um enlace definitivo com o Centrão, ou parte dele, para chancelar seus apoiadores nos estados. Exemplo de Alagoas, onde o céu é de brigadeiro para Jair. É de lá o presidente da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP), possível candidato ao comando do estado. Outro aliado de Bolsonaro em Alagoas é o atual governador, Renan Calheiros Filho (MDB).

Mas para sustentar o avanço bolsonarista sobre a região que tem quase 27% de votos do país, são necessários mais do que cargos e políticos. Por isso, a mais recente medida ‘pró-nordeste’ do governo central vem da proposta orçamentária para 2021. Dos mais de R$ 20 bilhões previstos alocados para investimentos regional e localmente, o Nordeste deve ser contemplado com R$ 7,4 bilhões, ou 36% do total.

A preocupação de Bolsonaro no Nordeste tem nome: Luiz Inácio Lula da Silva. O petista é de longe o maior líder popular que o Brasil já teve e que tem entre os nordestinos um bunker eleitoral poderosíssimo.

Além de Lula, outro provável adversário de Jair Messias Bolsonaro em 2022 é o ex-governador Ciro Gomes (PDT), também do Nordeste.

Portanto, a disputa passa por aqui!

Bolsonaro, o pior presidente da história do país, mas que conhece o jogo das urnas, sabe que vencer no Nordeste é algo inatingível. Para ele, avançar na região de modo a compensar a desidratação já sentida noutras partes, pode ou não significar uma derrota fragorosa já no primeiro turno.

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