No dia 2 junho de 2020, o empresário Carlos Wizard, que assumiria o cargo de secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, anunciava que iria implantar uma nova metodologia de contagem dos casos e mortos por Covid-19 no Brasil, de modo a reduzir os números. Cinco dias depois, Wizard, que é dono de uma das maiores escolas de línguas do Brasil, informava que havia desistido de tomar posse.
Já em novembro, um apagão no banco de dados do Ministério da Saúde afetou por dias a atualização dos dados da pandemia. Horas depois, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, coronel Elcio Franco, dizia que havia “indícios” de que a pasta tenha sido alvo de ataques cibernéticos. Até hoje o Ministério da Saúde não apresentou um único laudo técnico sobre as causas do apagão.
Hoje (24|mar), sob a gestão do quarto ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, o governo voltou a carga para os números. A pasta passou a exigir, por exemplo, os números de CPF e Cartão de Saúde do SUS para inserção dos dados. Ontem, terça-feira, os óbitos por Covid-19 em São Paulo caíram de 1.021 para 281 em apenas 24 horas.
A preocupação do presidente Jair Bolsonaro segue sendo com os números, não com a vidas. O ministro da Saúde, que na verdade é o próprio Bolsonaro, ao invés de apresentar uma série de medidas urgentes no sentido de conter a proliferação do vírus, tenta negar os números por decreto.



